II - Alcibíades - Talvez ignores, Sócrates, que te antecipaste a mim de um quase nada, pois eu tinha precisamente a intenção de procurar-te para perguntar o que pretendes e o que esperas, para me importunares desse modo, obstinando-te em seguir-me por toda a parte. Em verdade, não atino com o que se passa contigo, e muito te agradeceria se me dissesses o que há.
Sócrates - Se desejas saber, como dizes, o que se passa comigo, ouve-me, como cumpre, com boa disposição. Vou falar como quem se dirige a quem se dispõe a escutar e a não retirar-se antes do fim.
Alcibíades - Está bem. Podes falar.
Sócrates - Toma cuidado, pois não seria de admirar que tanto me custe terminar, como começar.
Alcibíades - Fala, meu caro Sócrates, que te ouvirei.
Sócrates - Vou falar, embora seja difícil a qualquer pessoa apresentar-se em caráter de apaixonado a quem não se rende a nenhum de seus admiradores. Ainda assim, atrevo-me a expor meu pensamento. Se eu tivesse visto, meu caro Alcibíades, que te mostravas satisfeito com as vantagens que há momentos enumerei e que te contentarias com elas para o resto da vida, tenho certeza de que há muito tempo já teria arrefecido a afeição que te dedico."
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